A Expedição:

>> Deyson Gilbert

>> Júlio Meiron
>> Luisa Nóbrega
>> Marcia Vaitsman
>> Nabor Kisser
>> Rafael Hess

 


Voltamos

por Júlio Meiron

O objetivo do projeto foi instalar um ateliê em um barco que desce o Rio São Francisco, constituindo uma espécie de ateliê-flutuante. Neste espaço criado, um grupo de artistas visuais se alojou e desenvolveu trabalhos ligados à temática do rio. Assim, o objetivo do projeto se pautava em fomentar o desenvolvimento de pesquisas ligadas ao campo das artes visuais, mais do que em exposição. O grupo parava em cidades e povoações nas margens do São Francisco e ali interagia com as comunidades ribeirinhas. Essas metas foram atingidas.

Saímos de São Paulo/SP no dia 12 de abril de 2008 e alugamos um barco em Januária, que partiu dia 14, rumo a Bom Jesus da Lapa/BA, chegando lá dia 17 à tarde. Ao longo deste percurso fluvial, produzimos intervenções artísticas no próprio barco e nos arredores por onde passávamos, executamos performances e desenhos e colhemos depoimentos. Uma das artistas, Luísa Nóbrega, fez todo o percurso a partir de Januária de olhos vendados, como parte de sua pesquisa/performance corporal. Prevíamos chegar antes do dia 17 em Bom Jesus da Lapa, mas, como tivemos um problema técnico – a hélice do barco quebrou depois de Carinhanha/BA –, ficamos quase dois dias à deriva, o que desencadeou atrasos. Fomos socorridos por um pescador conhecido como Seu Diu, que rebocou com sua própria embarcação o nosso barco até Bom Jesus da Lapa.

Como deveríamos estar em Petrolina no dia 18 para coordenarmos uma oficina e um debate e já estávamos atrasados pelo incidente da hélice, alugamos dois carros que nos deixaram naquela cidade. A oficina aconteceu com crianças de escolas públicas de Petrolina no Parque Josepha Coelho e o debate foi com os estudantes da Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais (FACAPE). Ambos os eventos tiveram o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Estratégico, Cultura e Turismo de Petrolina.

No dia 19, ainda ficamos em Petrolina/PE e Juazeiro/BA para produzirmos ações artísticas na orla fluvial (Orla I). Acolchoamos um barco na beira do rio e suspendemos três balões de gás hélio de mais de um metro de diâmetro, representando luas do São Francisco.

Dia 20, partimos em direção a Penedo/AL, novamente por terra, pois há muitas barragens neste trecho do rio. Como já estávamos desencadeados em atrasos pelo incidente com a quebra da hélice e Luísa começava a ter uma inflamação nos olhos por deixá-los vendados por tanto tempo, tivemos que nos adiantar neste trecho da viagem. Em Penedo, alugamos um barco até o mar, adentrando nele no final do dia 22, quando Luísa encerrou sua performance tirando a venda dos olhos. Até o dia 26 o grupo ficou na região elaborando a experiência vivida.

Dia 27, de avião, estávamos de volta a São Paulo, munidos de muito material inédito que tem em comum a problemática em torno do Rio São Francisco hoje e que fomentará o desenvolvimento artístico de todos os participantes do projeto: fotos de Nabor Kisser, Márcia Vaitsman, Julio Meiron e Deyson Gilbert, vídeos de Márcia Vaitsman e Deyson Gilbert, desenhos de Julio Meiron, performances de Luísa Nóbrega e Deyson Gilbert, coleta de depoimentos de terceiros por Márcia Vaitsman, depoimentos próprios de Nabor Kisser, Luísa Nóbrega e Julio Meiron, intervenções espaciais de Márcia Vaitsman, Deyson Gilbert e Julio Meiron (Rafael Hess participou de toda pré-produção, mas, por motivos pessoais, não pôde viajar conosco na Expedição Francisco).

Agora, este material produzido e coletado continuará sendo elaborado pelos próprios artistas para a possível realização de uma publicação e/ou exposição, o que constituiria uma segunda etapa, não prevista no projeto original enviado e aprovado pela FUNARTE. A realização desta segunda etapa depende de captação de recursos adicionais. Assim, poderíamos ter uma ampliação da experiência vivida.

Gostaríamos de agradecer imensamente ao Senhor Guedes, conhecido como Marujo, que guiou nosso barco de Januária/MG até Bom Jesus da Lapa/BA. A toda sua equipe, à sua esposa e ao seu filho João, que nos acompanharam no barco. Ao Senhor Diu, pescador que nos socorreu quando a hélice do barco quebrou depois de Carinhanha/BA. Ao Vinicius de Santana e a toda sua equipe da Secretaria de Desenvolvimento Estratégico, Cultura e Turismo de Petrolina/PE, principalmente à Dayara Rodrigues, Eduardo Macedo e Manu Oliver. A toda equipe da FUNARTE, à Ângela Ghizi Guimarães, ao Carlos Eduardo Valente da PETROBRAS, ao Silas Marti da Folha de São Paulo que acompanhou parte da Expedição Francisco, ao Paço das Artes, à ONG Ato Cidadão, ao Luiz Fernando Mizukami e a tantos outros que deixamos de citar aqui.