A Expedição:

>> Deyson Gilbert

>> Júlio Meiron
>> Luisa Nóbrega
>> Marcia Vaitsman
>> Nabor Kisser
>> Rafael Hess

 


Lâmina d’água

 

(este texto é apenas uma compilação de informações disponíveis na WEB, para auxiliar o início da pesquisa sobre a transposição das águas do rio. Não tem caráter científico. Aconselhamos que você faça uma busca mais complexa sobre o tema, para entender opiniões pró e contra o projeto do governo federal de transposição das águas)


O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional é um empreendimento do Governo Federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional (cujo ministro é Geddel Vieira Lima), destinado a ofertar água à região semi-árida do Brasil.

O Projeto prevê a construção de dois canais: o Eixo Norte que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte e o Eixo Leste que beneficiará parte de Pernambuco e da Paraíba (já Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais seriam estados doadores de água).

O Eixo Norte, a partir da captação no rio São Francisco próxima à cidade de Cabrobó ­ PE, percorrerá cerca de 400 km, conduzindo água a diversos rios. O Eixo Leste, que terá sua captação no lago da barragem de Itaparica, no município de Floresta ­ PE, irá se desenvolver por um caminho de 220 km.

Esses Eixos de Integração foram concebidos na forma de canais de terra revestidos por membrana plástica impermeável. Nos trechos de travessia de rios e riachos serão construídos aquedutos, sendo previstos túneis para a ultrapassagem de áreas com altitudes mais elevadas. Para vencer o desnível do terreno, ainda serão implantadas 9 estações de bombeamento: 3 no Eixo Norte, com elevação total de 180m, e 6 no Eixo Leste, com elevação total de 300m. Ao longo dos eixos principais e de seus ramais, serão construídas 30 barragens para desempenharem a função de reservatórios de compensação, permitindo o fluxo de água nos canais mesmo durante as horas do dia em que as estações de bombeamento estejam desligadas (as bombas ficarão de 3 a 4 horas por dia em repouso).

Mas alguns pontos têm que ser levados em consideração: o primeiro diz respeito à intensa evaporação que existe no Nordeste semi- árido. Isso é um dado espantoso, se imaginarmos uma grande lâmina de água perdendo-se anualmente para a atmosfera. O segundo diz respeito ao consumo de energia para bombear o volume de água pretendido. De acordo com os dados do projeto, a energia necessária para esse fim é equivalente àquela gerada em Sobradinho, ou seja, precisa-se ter uma Sobradinho inteira, funcionando 24 horas por dia, para manter o sistema operando satisfatoriamente, numa região já com problemas de geração de energia elétrica. O terceiro, e talvez o mais importante, diz respeito à garantia de vazão do rio. O São Francisco é um rio que, no Nordeste semi-árido, corre inteiramente sobre embasamento cristalino e, em decorrência disso, todos os seus afluentes têm regime temporário. Este aspecto traz como conseqüência uma diminuição gradativa de sua vazão ao longo do ano, dada a diminuição e até a interrupção das vazões dos afluentes que fazem parte de sua bacia. Tudo isso ainda é agravado pelo uso das águas na irrigação: utilizadas, não retornam diretamente ao rio.

Justamente na tentativa de solucionar o problema da vazão do rio, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - CHESF construiu a represa de Sobradinho, que manteve, de certa forma, o rio em patamares adequados para a geração de energia no complexo de Paulo Afonso. Mesmo assim, dadas as secas periódicas que assolam a região, a referida represa tem operado, com certa freqüência, em níveis críticos, chegando a voltarem à tona as ruínas da cidade de Remanso, no estado da Bahia, que ficou submersa com a construção dessa represa. Ora, se a antiga Remanso volta a aparecer no período de seca (a nova Remanso foi reconstruída em uma cota mais alta), isso nos leva a crer que o leito do rio praticamente volta ao que era antes de ser represado e que as águas, antes acumuladas para resolver os problemas de geração de eletricidade e de irrigação, não atendem mais àquelas finalidades. Talvez, simplesmente não iríamos ter água suficiente para tudo isso (geração, irrigação e abastecimento).

 


Mas as obras já começaram, com a ajuda do exército brasileiro. Foram enviadas tropas para as cidades de Cabrobó e Floresta, no estado de Pernambuco, para garantir que os trabalhos sejam iniciadas sem "transtornos", antes mesmo do julgamento das ações ainda pendentes no Supremo Tribunal Federal. Os gastos com as obras são orçados atualmente em R$ 4,5 bilhões.

Diante do exposto, as autoridades deveriam refletir melhor sobre a transposição do rio São Francisco, agregando a ela a questão do gerenciamento regional integrado dos recursos ambientais, aí incluindo o uso coerente de suas águas, como fator fundamental do desenvolvimento da Região Nordeste. Para que isso se realize, é importante que sejam ouvidos todos os segmentos da sociedade.

Pessoas e Projetos

Deyson Gilbert : artista >>
Júlio Meiron : artista >>

Luisa Nóbrega : atriz e performer >>
Marcia Vaitsman : artista >>
Nabor Kisser : biólogo e documentarista >>
Rafael Hess : artista e fotógrafo >>


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