A Vida por um Rio.

mensagem de Frei Gilvander: É SOBRE DOM CAPPIO, seu jejum e a LUTA CONTRA A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. É de indispensável leitura. Foi elaborado pela FRENTE CEARENSE PELAS ÁGUAS E CONTRA A TRANSPOSIÇÃO do Velho Chico.

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Transposição do São Francisco: uma nova indústria da seca

Adauto Medeiros, Engenheiro civil e empresário1

Se o Brasil fosse dirigido por gente séria estaria comemorando a vitória sobre a seca e a famosa frase de Dom Pedro II já não teria o menor sentido. A maioria dos nordestinos pensa que de lá para cá não foi feito nada, mas prefiro falar apenas do nosso estado. Em 1982, construímos a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, com 2,4 bilhões de m³ ; em 1990/92 começou o baixo Assú com 6.000 hectares e ainda não terminamos. Em 1992 foram construídas as adutoras de Garibaldi, em 2003 fizemos as barragens de Umari e Santa Cruz com 900 milhões de m3. Hoje não temos grandes gargantas para fazer barragem a não ser a Oiticica que está parada há 10 anos. Esta, uma barragem de 500 milhões de m³, serviria para gerar energia como para manter o nível da Armando Ribeiro Gonçalves.

Temos hoje a nossa disposição 13,9 bilhões, sem contar mais 1 bilhão de Caremis/Mãe d´agua no Rio Piranha que vem da Paraíba. Agora vejamos o outro lado: o Rio São Francisco tem uma vazão de 1.860 m³ para o consumo das cidades ribeirinhas e 70% das cidades de Sergipe e Belo Horizonte e mais a irrigação dos plantios as margens do Rio, especialmente Petrolina e Juazeiro. A população ribeirinha chega a 8 milhões de habitantes e sendo o projeto de 26 m³ chegará para nós apenas 2,2 milhões de m³ o que é insignificante em relação à água que temos.

Talvez as pessoas que são favoráveis à transposição não saibam que para recalcar 1 m³ de água no projeto, é preciso ter 3 m³ de água para fornecer energia para recalcar a água. E para o projeto todo, teremos de ter 7 mil km de túneis, que como podem ver é uma verdadeira indústria da seca onde os grandes beneficiários são as empreiteiras, as fábricas de cimento que por falar nisso estão instalando duas no RN. Projeto de 10 anos é uma festa para os políticos, pois precisam de lobby para liberar o dinheiro todos os anos. E para ter uma idéia o canal terá 25m de largura por 7,0 metros de altura. O orçamento de 6,6 bilhões é o início do projeto, mas com os desdobramentos é impossível quantificar aonde isso vai. Isto mostra que não temos um projeto para o Nordeste e especialmente para o Rio Grande Norte, uma vez que precisamos construir o aeroporto de São Gonçalo, aliás até hoje não entendo porque não é em Parnamirim, pois além de ter o encontro de duas BRs, as rodovias para chegar lá já estão juntas e feitas, e em São Gonçalo não temos como chegar lá e para fazê-lo será muito caro. É incrível mais uma vez vermos que os empreiteiros dão as cartas.

Também precisamos de uma refinaria que foi para Pernambuco. Precisamos de um porto, precisamos construir uma siderúrgica, precisamos divulgar o destino de Natal no exterior para manter esta superestrutura turística criada pela iniciativa privada para atender milhões de profissionais que estão desempregados, precisamos de estradas vicinais e estaduais, em suma, precisamos de tudo, muito especialmente de esgotamento sanitário para que a cidade possa crescer verticalmente e não proibir edificações por falta de esgoto. Este é o estado galhofa que não trata nem mesmo o nitrato, e no caso do Rio Potengi que recebe esgoto in natura, fica fácil colocar a culpa nos camarões, mas aqui é sempre assim.

E assim, enquanto não vem nada, novas mentiras são colocadas na mídia para enganar o povo do Nordeste. Portanto, pelo que eu relatei não temos falta de água, pelo contrário temos muita, o que nos falta é bom senso. Não temos um projeto para as galerias pluviais de Natal e nem para transporte coletivo. Todos que vão ao exterior sabem que o metrô é a solução, mas infelizmente nem mesmo um estudo preliminar não existe. Brevemente os dominantes precisarão de helicóptero para livrar-se do trânsito. E enquanto não fazem as obras prioritárias vamos enganando a sede de justiça com 2,2 m3 por segundo. É bom lembrar que para a água que vem do São Francisco para encher Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte, precisará de 3 anos para enchê-lo. Não é uma brincadeira isso? Esse não é um país sério.

Exército tira transposição do Rio São Francisco do papel

Presença de militares e investimentos federais em saneamento reduzem as resistências ao projeto

por Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa em 10 de agosto de 2008

sobre jonas. uma primeira tentativa de aproximação.

sento para escrever algumas horas depois de chegar em são paulo. chego na minha casa, que no momento estranho ainda, mas cuja familiaridade começo a sentir de forma gradual. antes de dormir, tento entender um pouco o que é ter ido para longe, o que é estar de volta. tenho sempre a impressão de que o interstício que separa dois momentos no espaço, e mais ainda, dois momentos no tempo, sempre de algum modo nos ultrapassa. estive lá, agora estou aqui, e no fundo não me dei conta, não tenho domínio algum a respeito do modo como se deu a passagem de um estado a outro. eu estava de olhos fechados, agora estou de olhos abertos,  e ainda não entendo. vou entender apenas aos poucos, construindo um sentido possível a partir dos registros de que disponho, a partir do olhar dos outros e a partir daquilo que me lembro. acredito sempre que temos que fazer um certo esforço para tornarmo-nos atuais a nós mesmos. para fazer da vivência bruta que, suave ou incômoda, possui sempre uma certa violência, uma experiência que de algum modo nos mova e transforme. requer um certo esforço preservar em nosso olhar algo do estranhamento provocado por um deslocamento, por uma mudança de perspectiva.           - há, porém, o alívio de saber que nem tudo aquilo que se transforma em nós está sob o nosso controle. o alívio das correntes subterrâneas.

O peixe

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Ruídos

Marina Abramovic e Ulay , quando se separam, fazem uma performance: cada um vem de um extremo da Muralha da China, até se encontrarem no meio. Isso é arte como sublimação. Via produção poética, podemos tocar na experiência vivida de confinamento, cativeiro, conflito. Você nunca vai saber o que tem na cabeça do outro. A palavra é uma tentativa torta - e fadada à frustração - de aproximar mundos. Porque no fundo todas as palavras são ruídos. Se falamos de diversidade, talvez tenhamos falado das próprias possibilidades e impossibilidades de construirmos um país. O Rio São Francisco e o debate em torno dele falam disso.

Podemos falar do último trabalho. Por mais que, em arte, às vezes, as coisas não são lineares.

Complementando o diário

Eu sei que ainda faltam algumas coisas aqui no blog. Mas, devido às dificuldades de acessar a internet e a pressa que tivemos, não foi possível fazer tudo.

Os trajetos por onde nós passamos estão gravandos no GPS e serão inseridos no blog posteriormente, infelizmente não deu para fazer isto durante a viagem.

Também vou colocar ainda muitas outras imagens para documentar melhor o que foi a Expedição Francisco.

Aguardem!

Dia 11 - 22 de abril - O Mar

Chegamos. Com a maior lancha de Penedo fomos ao encontro com o mar. No início do dia estava chovendo. Mas, quando o barco, com Luísa na proa, feito uma carranca espantando os maus espíritos, estava se aproximando finalmente da foz do nosso grande rio, o tempo se abriu por alguns instantes. O sol jogou alguns de seus raios na face da heroína desta expedição, talvez amenizando um pouco a agonia que ela devia estar sentindo.

11 dias sem luz, sem se ver no espelho e com um monte de pessoas em sua volta desenhando, filmando, tirando fotografias e falando da beleza da arte e da paisagem. Que tortura.

A lancha, a “Maravilhosa”, era tão grande que, por pouco, não nos perdíamos nela. Três andares para 6 pessoas. Ficamos um tanto dispersos durante a viagem de 3 horas até Piaçabuçu, a última cidade no Rio São Francisco.

Paramos um pouco para dar uma volta na cidade. Passamos em uma pequena fábrica de gelo com um pigüim na fachada. Numa escada na margem, havia lavadeiras de roupa nas águas do rio. Numa feirinha de artesanatos, achamos uma curiosidade. Por falta de celofane preto, as mulheres misturam a fita magnética de videocassetes com palha para fazer cestos decorados. Marcia, que trabalha com vídeo e mídia-arte há muito tempo, não resistiu e comprou um exemplar.

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De volta ao barco, Luísa começa a se preparar para o grande momento. Ela vai passeando sozinha pelo barco. É incrível quanta segurança ela adquiriu ao se movimentar. Se no começo ela ficava mais parada, agora era muito mais independente. Conversamos um pouco sobre a experiência e fomos até a proa do barco. Com uma paciência incrível, ela esperava, enquanto a espuma branca das ondas do mar no horizonte lentamente se aproximavam.

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Pedimos ao barqueiro para ir o mais longe até o mar quanto a segurança permitisse. Ao toque da buzina alta do barco, Luísa lentamente retira a venda. Pela primeira vez há muito tempo, vemos os grandes e bonitos olhos de Luísa - e os olhos de Luísa estão firmemente fixados no horizonte. Lágrimas correm, mas os olhos parecem querer absorver o máximo possível da briga das águas do rio com as do mar e aguentam quase sem piscar.

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Aos poucos, ela começa a olhar para outras coisas a não ser o horizonte e troca os primeiros olhares com os companheiros de viagem.

Ao chegar perto da praia, Luísa se joga nas águas e sai andando pela paisagem de dunas, lagoas e coqueiros. Foi um momento muito tocante. Muito solitário. Momentos depois, Deyson, seu namorado, junta-se à ela no passeio pela praia.

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Demorei um pouco para me acostumar a olhar para os olhos de Luísa e não para um pedaço de pano.

Não havia muito tempo na praia e tivemos que voltar para o barco porque o sol estava começando a se pôr.

No barco, Júlio faz a última intervenção com espuma, acolchoando os chuveiros externos da “Maravilhosa”. No pôr do sol, tiramos fotos e filmamos o resultado. A cor amarela-choque se contrasta com o azul escuro do céu. A cena da água caindo do chuveiro espumado foi bem surreal.

A volta para Penedo foi marcada por silêncio e um certo vazio. A viagem acabou. Todos pareciam estar introvertidos refletindo os momentos bons, as frustrações e as brigas. Ou simplesmente pensando em nada e olhando a lua quase cheia surgir no horizonte.

À noite eu estava acabado, cheguei a dormir na mesa do jantar. Júlio e Silas partem para São Paulo.

A expedição acabou. Mas o trabalho está para continuar. A triagem do material, as inúmeras fotos, os desenhos e os vídeos. O Rio São Francisco ainda estará ao nosso lado por muito tempo.

Saída do grupo.

A minha saída do grupo nunca foi repensada - continuei a viagem e as apresentações porque senão os outros integrantes teriam problemas também para continuarem realizando os projetos individuais.  Minha saída foi anunciada e não revidada, portanto realmente não faço mais parte deste projeto.  Agora, com a retirada dos posts que eu tinha feito com os títulos de “saída do grupo” e “moderando” mostra-se que o diálogo realmente não existe.  Porque  não responder aqui o que se pensa? Porque não comentam? Existe um campo para as opiniões e comentários, logo abaixo, é só clicar em “comentários”.

As Luas de São Francisco

subiram…

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